terça-feira, 26 de março de 2013

Abandono

As paginas dos livros amarelam com o tempo.
Vão queimando lentamente, mudando de cor.
As fachadas das casas precisam ser pintadas, todo ano.
Ou desbotam e denunciam o desleixo do dono.
Os amores guardados no peito.
Desbotam, amarelam, mudam de cor.
Mas insistem em não morrer, em não murchar.
Contra a vontade persistem, parafusados a carne
Talvez esperando uma nova mão de tinta
Ou, não sei o que.


terça-feira, 12 de março de 2013

Efeito Borboleta

Não sei o que você está fazendo agora
Se estiver chorando 
Não é hora
Se estiver sorrindo, 
Ainda bem
Se estiver cozinhando, 
Quero também
Se estiver sonhando, 
Me leva junto
Se precisar de ajuda, 
Estou ao lado

Se odiar as segundas, 
Fiquemos deitados
Esperando o sol nascer
Conversando sobre
Esse delírio
Planejando como vão ser
Os nossos filhos
Que ainda vão nascer
Na outra vida
Na outra rota
Alternativa
Da vida que não tivemos

Sangra nosso peito em segredo
Querendo tudo diferente
Mas nos cruzamos, como estranhos
Em um mundo em que deuses
Conspiram
E roubam cruelmente
Todas as possibilidades
De que o delírio seja a verdadeira realidade
E deitados conversando,
Brincamos de pensar como seria
Se não estivéssemos juntos

Mas não, os deuses com inveja dos teus beijos
Nos colocaram para viver a realidade dura
E sabotam nosso caminho para a felicidade
Onde outros, como você já sabe
Colhem nossas flores, distraídos
Na brisa leve da tarde

Contra o querer do deuses
Nos encontramos, e nos amamos
Mas quando eles perceberam
Com toda a crueldade
Mudaram tudo outra vez
 E já era outra realidade.
Colocaram nós dois bem longe
Um em cada cidade

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Ilusões

Eu quis trancar a porta e esquecer que tinha que chave
Eu quis esquecer o caminho até a sala
Deixar lá, toda a história, empoeirando
Eu pensei que poderia, que seria fácil

Vejo que eu é que fiquei trancado
Eu é que estou trancado
Na irrealidade
Na falsa esperança

Todo dia é de manhã
Todo dia tem melancolia
Todo dia eu espero ver você chegar

Mas você nunca vem
Não chega
E eu sentado no sofá da sala, acordo
A sala já não existe
O sofá já não existe
As manhãs não existem mais
Você também já não existe
É  só uma voz do outro lado da linha
Em outra cidade
Dizendo "oi" e "até mais"

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Agora ta chovendo aqui. Eu morro de saudades do tempo em que agente parava tudo, pra ficar conversando, nas manhãs chuvosas.
Depois desse tempo, sinto que poucas coisas na minha vida me fizeram tão feliz, quanto conviver com você.
Tudo acaba, mas parece que os melhores momentos acabam antes do tempo, e deixam esse buraco dentro da gente.
Eu sinto muita falta de você, da tua companhia, das tuas histórias, da tua luz, da tua força.
Até hoje, em tudo que faço, me inspiro em você, tento ser como você. A tua coragem deixa a gente com vontade de ser igual a você.
Te levo comigo pra onde eu for, aqui dentro, onde a inveja não alcança. E mesmo sendo ruim sentir essa falta, tua lembrança é doce, é colorida, é ensolarada.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Sintomas

Nostalgia
É um tipo de saudade estranha
O sintoma é sentir falta do que não se viveu
E  vontade de reviver todos os momentos bons 
Aqueles que o tempo varreu.

Depressão
É uma espécie de tristeza escura
Onde o paciente não consegue ver as portas.
A vida tem gosto de água suja
E as horas são todas mortas

O único remedio é viver.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Milena

Flores
poderiam se chamar
Milena
Não faria a mínima diferença.

Quem batizou o sol
Não poderia saber
Que o sorriso de Milena
faz a noite se esconder

A tarde a brisa corre pelas arvores do quintal
Milena é o vento,
Levando as nuvens de chuva para a imensidão.
Que também não se chamam Milena,
Por falta de imaginação